Grupo Escolar Monsenhor Bastos, minha primeira escola

GRUPO ESCOLAR MONSENHOR BASTOS, MINHA PRIMEIRA ESCOLA

Na minha tenra idade, no “Grupo Escolar Monsenhor Bastos”,  a professora falou: vamos conjugar o verbo estudar no  “Pretérito Perfeito do Modo Indicativo”!   E o couro comia: parará, pereré, piriri, pororó, pururu… E, igual a papagaio, ia eu repetindo.

Agora, no “Pretérito Mais-que-Perfeito do mesmo Modo”.  E o lengalenga começava: Parará, pereré…

Cheguei a falar pra mim: meu Deus, o que vem a ser esse negócio de “Pretérito”? Pensava: agora vou me levantar e perguntar a professora! Mas, já escaldado com a vida, imaginei  meus colegas apontando os dedos para mim e falando: Professora, Zé William não sabe o significado de “PRETÉRITO”! Ah! Ah! Ah! Ah!

A Professora ia se levantar e dizer: é brincadeira de Zé William, ele sabe.  Agora  chega, vamos para o “Pretérito Perfeito do Subjuntivo” e a ladainha continuava: Parará, Pereré, piriri…

Tudo isso aconteceu, porque a Professora não sabia do que se tratava a coisa. Meus colegas também não. A Diretora da escola não sabia, as colegas da Professora não sabiam. Os pais dos alunos não sabiam. Meus pais, pais da professora, pais da diretora, ninguém tinha a menor ideia do que era, porque, se alguém naquele universo soubesse, teria passado um para o outro.

Mas eu me virava para arrancar nota azul e poder entrar em casa e não ser arrebentado no pau.

Tempos passaram, mas a coisa ficou encafifada na moleira. Certo dia ouvi alguém falar de um tal dicionário. Fiquei curioso e procurei saber mais a respeito. Foi quando um amigo meu de rua disse: nesse livro tem tudo. Todas as palavras. Você sabe o que  é… e ria. Lá também tem isso… e voltava a ri. Foi quando ele falou, se quiser eu pego o livro para você olhar, em casa tem um.   Mas tem que ser rápido que meu pai tem o maior ciúme nele.  E saiu para buscar.  Foi quando falei pra mim mesmo: hoje eu desvendo o mistério desse maldito nome. Quando peguei o livro fui direto ao dito cujo e, por surpresa, de forma sucinta, clara e direta estava lá: “O Passado!” Exclamei:  não possível um negócio desse! Isso eu sei o que é! Por que não soube antes, meu Deus dos Céus.  Àquela altura do campeonato, eu já tinha desenvolvido minha própria técnica  de entender a gramática, a necessidade me obrigou, para não tirar nota vermelha e levar porrada em casa.

O MEC não precisou mudar nada, eu me virei sozinho, eu e meus colegas também. O MEC não precisou adotar livro defendendo falar errado:  “Nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Norma culta nunca me assustou, porque sempre li com dicionário ao lado. Se o MEC da minha época tivesse adotado livros “Por uma vida melhor” eu não teria tido uma vida melhor. Graças as dificuldades por mim enfrentas e superadas aos trancos e barrancos, consegui um emprego público.

Até hoje escrevo na tora! Sempre tive dificuldade em entender o nosso idioma. Minha vida foi gasta lendo cartas circulares,  normativos de banco e contando dinheiro dos outros. Mas sempre trabalhava tranquilo sabendo que tinham pessoas, cientistas da gramática, que estavam estudando, aprimorando, zelando e preservando nosso idioma e, quando eu precisasse, recorreria aos livros para tirar minhas dúvidas, livros confiáveis. Agora não tenho mais certeza disso: nossa língua está sendo submetida a caprichos de um movimento sinistro  e, no futuro, se um de meus netos vir a precisar defender uma tese, ou trabalho similar para subir na vida,  terá que recorrer a um outro idioma para se fazer entendido, porque, até lá, o nosso não passará de montão de termos e regras atabalhoada e desconexa como a imbecilidade da linguagem neutra de gêneros gramaticais o tal dialeto  não-binária, que a esquerda pretende implantar no Brasil. Coisa de retardado.

Hoje lamento não conhecer nossa língua portuguesa em profundidade, não para escrever melhor, mas, para defendê-la dos maus-tratos intencionais,  por aqueles que deveriam ser seus guardiões. São as estranhezas e as turbulências dos dias de hoje que leva um cidadão comum, sair em defesa da nossa língua pátria, por perceber as segundas intenções daqueles incumbidos de zelar por ela.
(Por Eu: Zé William)

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Brasileiro da Bahia que gosta de escrever. Escritor/Jornalista que gosta de abordar o cotidiano do seu ângulo de visão.

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