Desmerecer para merecer

52c2284063c0ae6eb97223665deb4ccbJornalista da Record, querendo dar ênfase ao seu trabalho que enaltecia uma dupla sertaneja desconhecida, exibiu imagem de Luiz Gonzaga com sua sanfona, triângulo e zabumba ao tempo que falou: “Essa coisa monótona de antigamente, já era! Isto ficou no canto, a onda agora é a música sertaneja.”

Ok! Tudo bem! Nada contra a música sertaneja, mas, para enaltecer um artista é preciso destruir a imagem de outro? Então vamos fazer o seguinte! Tire os milhões de luzes psicodélicas e holofotes gigantes dos palcos das duplas sertanejas; reduza em 90% a turbinagem do som, as caixas de áudio e o tamanho do palco e depois me diga quem, realmente, deve ficar no canto.

Entre no corredor da história e busque saber se já existiu alguém que soubesse retratar, com fidelidade e intenso lirismo, o cotidiano de seu povo. Pode encontrar artista igual, como mestre Vitalino e Patativa de Assaré, melhor não vai encontrar.

Luiz Gonzaga já era! É passado! Ah é? É bom lembrar que Luiz Gonzaga, em suas músicas, ao retratar com fidelidade a vida de seu povo mostrava o descaso dos governantes e da sociedade para com sua gente.

Luiz Gozava denunciava os abalos ecológicos em sua música “Xote Ecológico”.” Não posso respirar, não posso mais nadar.
A terra está morrendo, não dá mais pra plantar, se plantar não nasce, se nascer não dá.

” Há muito tempo Luiz Gonzaga mostrava sua preocupação com o excesso de incentivo social em sua música “ Vozes da Seca: “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.”

Querer negar a existência de Luiz Gonzaga, sua contribuição à cultura,suas músicas e sua preocupação para com seu povo, se brasileiro o cabra for, é negar o seu povo, é negar-se a si mesmo. É isto!
Por: Zé William

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