Folia Momesca Arrasta Multidão na Tradicional “Lavagem da Esquina do Padre”

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Foto: Zé William

Pela sexta vez consecutiva com o mesmo tema: “Carnaval da Diversidade”, caetiteenses caem na folia na 31ª edição da “Lavagem da Esquina do Padre”.

No dia que antecedeu à festa, quinta-feira dia, 18, no anfiteatro da Praça da Catedral, aconteceu o concurso para a escolha do Rei e Rainha momos, que, por sinal, de gordos não tinham nada. No concurso, fazendo jus ao tema: “Carnaval da Diversidade”, concorreram homens, mulheres, transexuais e homossexuais. O Prefeito, Vice-Prefeita, Secretários, Vereadores e os idealizadores da festa: Nelsinho, Tayrone e Gilson também se fizeram presentes.

Foto Celular: Zé William

As famílias encheram a Praça da Catedral para apoiar o seu candidato preferido.
Embalados pelo som eletrônico, os participantes tiveram seu momento de glória. A performance notável dos candidatos arrancava aplausos e, no final de cada apresentação, o concorrente se emocionava ao ser ovacionado pela multidão.

Foto Celular: Zé William

Tudo transcorreu num clima de paz e alegria. A banca julgadora, constituída por dois homens e três mulheres, elegeu o candidato Heitor Chaves Castro como o Rei Momo e a transexual, Ananda Daniela Oliveira, como a Rainha.

A população conservadora não gostou do resultado, disse que no carnaval o Rei tem que ser homem e a Rainha tem que ser mulher, não  Rei e Rainha ambos homens.  Que o transexual concorresse entre os transexuais e não entre as mulheres. Que “XY” fantasiado de mulher continua “XY” e “XX” vestido de homem permanece “XX”.

 

Um retrógrado folião, foi mais longe, afirmando: “Já que se trata do “Carnaval da Diversidade”, além do Rei e da Rainha, cria-se também “A Rei” para homem que se sente mulher e “O Rainha” para mulher que se sente homem.  Sei que, nesse dia, choveram comentários de todos os lados. A ala moderada achou tudo normal, afirmou ser coisa da época, da modernidade e que é o progresso chegando na cidade e esse deve ser estimulado.

Um dos integrantes da comissão organizadora e idealizador da festa, Nelson Júnior, comentou que a festa tem o espírito democrático, que se adapta ao interesse dos carnavalescos, se o homem se sente mulher, concorra entre as mulheres à. coroa da rainha e vice-versa.

Ananda Daniela Oliveira

Foto Celular: Zé William

 

A Senhora Vanessa Junqueira da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo (SECELT), disse que a polêmica não faz sentido, uma vez que a candidata apresentou RG, com nome e gênero retificado e, independente disso, trata-se de uma folia momesca e  o que importa mesmo é a alegria, a inclusão e que todos se divirtam e sejam felizes.

 

Certo ou errado, a quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que um transexual pode mudar o sexo registrado em sua identidade civil.  A decisão final do STJ não vai obrigar outros tribunais a tomarem a mesma decisão, mas servirá de referência para casos semelhantes nas instâncias inferiores.

Foto Celular: Zé William

O “Carnaval da Diversidade” não começou no dia 19, 20 ou 21 como anunciado, começou no dia em que a família caetiteense se reuniu para escolher a fantasia,  as cores usadas na vestimenta, a hora de sair à procura de costureira. Cada família com sua data específica.  A partir desse momento é que começa o carnaval, e cada família tem sua própria data.

A Chuva

Foto, gentilmente, cedida pela amiga do Facebook, Eliana Carvalho de Caetité.

O ponto alto da festa foi no sábado 20, quando o cortejo da Lavagem da Esquina do Padre, por força da tradição do Boi de Idalino, saiu do Largo da Feira Velha, se espremendo pela Saldanha, subindo a Barão e descendo a Avenida Santana até a casa de Monsenhor Osvaldo para a lavagem da calçada, mantendo assim sua tradição de 31 anos.

Numa atmosfera vibrante, com a furiosa resgatando marchinha de carnaval,  o Cortejo Momesco seguiu seu itinerário. Havia  um pouco de tudo: as caretas, os blocos alternativos, as baianas, o boi de Idalino,  grupo afro e demais entidades culturais. Uma verdadeira mistura de cor e raça de todas as fés. Assim, rompia o cortejo pelas ruas da cidade numa autêntica festa da diversidade.

Tudo era festa. Uma  alegria contagiante. O entusiasmo fertilizou a imaginação dos foliões na confecção das fantasias criativas, de cores vibrantes, que lembrou o mundo colorido de “La La Land”. Assim, vivendo a realidade do sonho, as famílias caetiteenses desfilaram pelas ruas da cidade ostentando, orgulhosamente,  a arte apresentada em suas vestes carnavalescas.

As Coelhinhas

Foto, gentilmente, cedida pela amiga do Facebook, Eliana Carvalho de Caetité.

Manter a tradição da saída do Boi de Idalino no apertume do Largo da Feira Velha e seguir espremido pela Saldanha, comprometendo a integridade física das crianças e dos idosos ou escolher outro lugar, criou-se um impasse. No meu entender, o povo deveria ir para o ginásio aguardar o Boi de Idalino, que sairia de sua casa, mantendo assim a tradição, se encontraria com os foliões e desceria à Barão para a lavagem da esquina do padre.  O ideal seria pela Av. Santana, mas   por respeito aos enfermos no hospital, é melhor evitar.

Por não ter encontrado em nenhum site, inclusive o da Prefeitura, a programação da festa e o itinerário do cortejo da Lavagem da Esquina, a equipe deste site não foi capaz de adivinhar que haveri  concurso de fantasia individual e de grupo e que o Prefeito da cidade entregaria, pessoalmente, os prêmios aos vencedores.
Até enviei um e-mail para a Secretaria de Cultura da cidade solicitado os nomes das fantasias dos vencedores e seu respectivos criadores. Como toda Prefeitura que se preza não responde aos e-mails, a de Caetité não fugiu às regras.
Abaixo, foto cedida por Nelson Júnior, do renomado fotógrafo da cidade, Cláudio Amaral, da Direcom/PMC.

Foto de Cláudio Amaral-Direcom/PMV-

 

A prefeitura e os organizadores da festa devem contratar Trio Elétrico que já vem afinado ou,  que o músico afine os instrumento com fone de ouvido para estourar os ouvidos deles, não do povo da cidade, porque ninguém aguenta aquela brutalidade sonora,  das  porradas na caixa que  arrebentam os tímpanos.
Sem contar a brincadeira dos riquinhos da cidade que, no carrão de luxo, arrasta  paredão de som que compete de igual com os  trios elétricos.
Ninguém aguenta tanto barulho, nem o  direito as pessoas têm de tomar uma cervejinha sossegado no centro da cidade   e  trocar umas ideias com os amigos .  Se alguém quiser tomar uma cervejinha em paz, tem que ser nos botecos do morro do pilho ou nos do Alto do Cristo.

Os organizadores precisam criar e  disponibilizar a programação da festa, com dia e hora da saída dos trios, do cortejo da lavagem da esquina do padre e o itinerário, para que os turistas e profissionais de fora, que vêm fazer a cobertura da festa, não perderem parte do evento.

Esta festa fomenta o comércio, o turismo, os serviços, gera renda, trazendo desenvolvimento para a economia local e os empresários enchem os bolsos, então, nada mais justo que os comerciantes de igual forma ajudem na realização da festa, patrocinando grupos de dança, de música, de teatro, charangas, para se apresentarem em palcos, bem estruturados, com a mesma estrutura do palco apresentado na festa de Sant´Ana. Neste palco, até os Ternos de Reis de Luiz Benevides podem se apresentar para os visitantes da cidade apreciarem.  Jà  que se trata de “Carnaval da Diversidade”, que não seja somente de Gênero, que seja também de cultura, de classe social,  expressão artística e faixa etária. Que  não seja apenas uma festa exclusiva para a juventude.

O Trio Elétrico deve ser abolido, pois já deu o que tinha de dar. Ninguém aguenta mais Trio Elétrico!  É barulho demais da conta. A festa, ao longo do dia, tem que acontecer no palco acima citado, para valorizar os artistas, estimulando a arte e a cultura da cidade e região transformando esse carnaval num evento cultural de alto prestígio. À noite, os próprios artistas dos trios, “Pio e sua Banda” e orquestra carnavalesca contratada, estilo do “PAROANO Sai Milhó”, entram em ação para atender a diversidade de gosto musical.

 

Na realidade, dos três dias, somente o dia da lavagem da esquina do padre podemos considerar festa, os outros dois dias: Sexta e Domingo é somente um barulho desumano dos Trios Elétricos,  com suas músicas despudoradas, com apelo inteiramente sexual e degradante, faltando com respeito para com  as crianças, os adolescentes, as famílias, os religiosos ou quem se sinta  ofendido com o teor obsceno das músicas pornográficas.

Seis anos de incentivo, orientação, apoio da Administração Pública Municipal e 31 anos de existência, a Lavagem da Esquina do Padre entra no calendário tradicional da cidade como evento cultural. Mas,  em cada edição, precisa se reinventar para atingir a excelência e proporcionar mais conforto aos foliões.

O texto tenta retratar um pouco do que foi o carnaval e, no ensejo, faz sugestões.
Seria muita ingratidão reclamar de uma festa organizada com tanto esmero.
Parabéns Prefeito, Secretárias, Nelsinho e sua equipe organizadora e todos os que se empenharam direto ou indiretamente para o êxito da festa.
(Autor: filho de Seu Esíchio)

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Brasileiro da Bahia que gosta de escrever. Escritor/Jornalista que gosta de abordar o cotidiano do seu ângulo de visão.

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