Vida e morte, casadinho da existência

Você toca no assunto de morte, nego salta de banda, oferece lenço para você enxugar as lágrimas, pede para não tocar no assunto e que deve rezar para afastar pensamento ruim.

Mas, cá pra nós, a morte , não deixa de ser um assunto instigante. Prosa é o que não falta a respeito. Dizem que, quando batemos a caçoleta renascemos nessa terra ou passamos para um outro mundo, até a ideia de céu existe. Os Espíritas já têm essa resposta na ponta da língua.

A morte não alisa ninguém, e todo mundo sabe que ela existe. A coroada, que já está mais pra lá que pra cá, recorrem as várias formas de consolação, e a juventude, que não tá nem aí nem tá chegando, solta: deixa a bicha encostar.

Enquanto o figueiredo aguenta pinga, nego só fala em riqueza , no desfrute da vida, como gastar o tempo prazerosamente e, quando começa a sentir os piripaques, logo abre o bico. O mais infantil, o mais imaturo muda de assunto e gruda na idéia da reencarnação, de um outro mundo onde renasceremos e até na maravilha de morar no céu.

Infantil ou não, o certo é que todo mundo quer saber se existe vida depois da morte e uma série de outra coisa, mas, quando o cabra tá cheio vida, não quer entrar na casa da morte para conferir, para saber como é a bicha, treme de medo, e com razão, na casa da morte ninguém consegue entrar com crença, com conceitos e opiniões formadas a respeito, porque ela é o desconhecido, ela é o novo e se você a conhece, então não é a morte, trata-se de mais uma invenção do pensamento.

Não tem jeito! Com medo ou sem medo, envelhecemos e tudo isso chegará a um fim e, só se sabe que fim é esse, quando se investiga a morte em pleno gozo da vida, no auge da vitalidade. Depois de moribundo não seve, a mente já não tem a agudeza de outrora e não consegue mais entender essa coisa extraordinária que é viver, que é morrer em vida, que é deixar de existir sem aviso prévio. Amém?

About José William Vieira

View all Posts

Brasileiro da Bahia que gosta de escrever. Escritor/Jornalista que gosta de abordar o cotidiano do seu ângulo de visão.

Deixe uma resposta

Pular para a barra de ferramentas