Cumplicidade entre executivo e legislativo marcou o Governo Jaques Wagner

Motorista

Motorista e segurança para ex-Governador

Quando você pensa que já viu de tudo na Bahia, eis que aparece um absurdo maior.  Como se não bastasse  a PEC da vergonha, emenda que prevê pensão vitalícia para todos  ex-governadores da Bahia que tenham ficado quatro anos consecutivos ou cinco intercalados, agora,  no apagar das luzes de 2014, o então Governador Jaques Wagner(PT), agora  Ministro da defesa   no governo Dilma, deixa uma amarga conta para os baianos, pior,  uma  conta também vitalícia ao sancionar a LEI Nº 13.219 DE 30 DE DEZEMBRO DE 2014, que dispõe sobre a disponibilização de serviços de motorista e segurança para ex-Governador do Estado da Bahia e dá outras providências:

Art. 1º – Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido pelo tempo mínimo de 04 (quatro) anos ininterruptos ou 05 (cinco) intercalados terá direito a utilizar, de forma vitalícia, serviços de motorista e segurança, de sua livre escolha dentre os servidores do quadro de provimento permanente do Estado, designados, respectivamente, pela Secretaria da Administração e pela Secretaria da Segurança Pública.

Parágrafo único – Perderá o direito ao benefício estabelecido neste artigo o ex-Governador que fixar residência fora do Estado da Bahia, enquanto perdurar tal situação.

Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Como viu, é mamata em cima de mamata e não se ouve um pio dos baianos na rua, nem nas redes sociais. Até parece que já se acostumaram.  É como se nada de anormal tivesse acontecido.

A aprovação de Lei como esta deixa parecer que a  Bahia é uma propriedade particular do governador,  que o estado é para atender seus caprichos, suas vaidades, não se trata de um estado politicamente organizado, com regras, normas  e constituição própria.

Tamanha sem-vergonhice  não teria acontecido se tivéssemos deputados sérios, pois,  a Assembléia Legislativa, com seus deputados estaduais,  não seria para fiscalizar  as atividades do Poder Executivo? Então, como explicar a unanimidade na aprovação de medida indecorosa como essa?

Tal comportamento denuncia a relação de intimidade, cumplicidade e proteção recíproca entre os poderes executivo e legislativo da Bahia. É lamentável, não só pela  omissão dos eleitores, assim  como pelo  servilismo dos deputados em não constrangerem-se da condição de paus-mandados de governador.

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